SURDOCEGUEIRA
E MÚLTIPLA DEFICIÊNCIA
Pessoa com
Surdocegueira é uma condição
que apresenta outrasdificuldades além daquelas causadas pela
cegueira e pela surdez. O termo hifenizado indica uma condição que
somaria as dificuldades da surdez e da cegueira. A palavra sem hífen
indicaria uma diferença, uma condição única e o impacto da perda
dupla é multiplicativo e não aditivo. Lagati (1995,
p. 306).
Ainda, McInnes (1999),
aponta que a surdocegueira requer uma abordagem particular para
favorecer a pessoa com tal deficiência e um sistema para dar este
suporte. Assim, subdivide as pessoas com surdocegueira em quatro
categorias:
Indivíduos
que eram cegos e se tornaram surdos;
Indivíduos
que eram surdos e se tornaram cegos;
Indivíduos
que se tornaram surdocegos; Indivíduos que nasceram ou adquiriram
surdocegueira precocemente, ou seja, não tiveram a oportunidade de
desenvolver linguagem, habilidades comunicativas ou cognitivas nem
base conceitual sobre a qual possam construir uma compreensão de
mundo.
As quatro categorias
podem ser reagrupadas em Surdocegos Congênitos ou Surdocegos
Adquiridos e conforme a idade em que a surdocegueira se situou
pode-se classificada em Surdocegos Pré-lingüísticos ou Surdocegos
Pós-lingüísticos.
Pessoa com
Deficiência Múltipla é aquela que têm
mais de uma deficiência associada. É uma condição heterogênea
que identifica diferentes grupos de pessoas, revelando associações
diversas de deficiências que afetam, mais ou menos intensamente, o
funcionamento individual e o relacionamento social, ( MEC – /SEESP,
2002 apud BOSCO et al., 2010, p. 10).
Pessoas
com SURDOCEGUEIRA e com DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA
De acordo com Bosco (et
al. 2010), para que a pessoa possa se auto perceber e perceber o
mundo exterior, devemos buscar:
sua
verticalidade;
equilíbrio
postural;
articulação
e harmonização de seus movimentos;
autonomia
em deslocamentos e movimentos; o aperfeiçoamento das coordenações
viso motora, motora global e fina; e o desenvolvimento da força
muscular.
As pessoas com
surdocegueira e com deficiência múltipla, que não são acometidas
por graves problemas motores, precisam aprender a usar as duas mãos.
Essa alternativa de acordo com Bosco (2010) serve como tentativa
“[...] de minorar as eventuais estereotipias motoras e pela
necessidade do uso de ambas para o desenvolvimento de um sistema
estruturado de comunicação”.
De acordo com Mc Innes
(1999), pessoas com surdocegueira apresentam dificuldade em
observar, compreender e imitar o comportamento das pessoas em seu
entorno, tais como: membros da família e outros que venha
entrar em contato devido à combinação das perdas visuais e
auditivas. O autor nos indica as técnicas “mão-sobre-mão”,
consistindo em a mão do professor ser colocada em cima da mão
do aluno, de forma a orientar o seu movimento, o professor tem o
controle da situação.
Sendo assim, devemos
considerar que o ambiente deve ser planejado e organizado
adequadamente para inserção da pessoa com surdocegueira,
favorecendo a interação com pessoas e objetos.
Assim o professor ou
interlocutor tem a função de antecipar o que vai acontecer ou o
local em que vai acontecer a atividade; deve estimular a pessoa para
se comunicar e explorar o ambiente; confirmar se ela está
interpretando as informações e a todo o momento comunicar o que
ocorre no ambiente. Se não há uma comunicação efetiva
estabelecida desde a infância, ao tornar-se um jovem ou adulto com
comportamentos inadequados para se comunicar, pois, elas
necessitam de formas específicas de comunicação para terem acesso
a educação, lazer, trabalho e vida social.
Pensando
nas estratégias de aprendizagem para uma pessoa surdocega deve-se em
primeiro lugar observar seu nível intelectual e educacional
alcançado pela pessoa antes de adquirir a surdocegueira.
Dessa maneira, é preciso
estar atento aos sinais que esta pessoa com deficiencia multipla
aponta quanto ao contexto no qual esta inserido e é parte, seus
comportamentos, para assim poder contribuir de forma significativa e
relacionada com as vivencias desta pessoa.