DAMÁZIO,
M. F. M.; FERREIRA, J. Educação Escolar
de Pessoas com Surdez-Atendimento Educacional Especializado em Construção.
Revista Inclusão: Brasília: MEC, V.5, 2010. p.46-57.
Este resumo,
relata o papel da Educação Especial, na perspectiva inclusiva, como um serviço
complementar em tempos de Atendimento
Educacional Especializado na escola/classe comum, proporcionando novas
possibilidades para as pessoas com surdez, em que a Libras e a Língua Portuguesa escrita são línguas de comunicação
e instrução. Em se tratando da pessoa com surdez, podemos pensar que esta
pessoa não está reduzida ao chamado
mundo surdo, mas sendo considerada ser biopsicosocial, cognitivo, cultural. Ou
seja, rompendo com o embate entre os gestualista e os oralistas, afinal estamos
falando de um descentrado, em que os processos perceptivos, lingüísticos e
cognitivos devem ser estimulados e desenvolvidos, tornando-os mais capazes,
produtivos e constituídos de várias linguagens, com potencialidade para
adquirir e desenvolver não somente os processos visuais-gestuais, mas também
ler e escrever as línguas em seus entornos.
Visitando a
historia encontramos algumas concepções desenvolvidas sobre a educação de
pessoas com surdez que se pautaram em três abordagens: a oralista, a
comunicação total e a abordagem por meio do bilinguismo. As escolas comuns ou
especiais, pautadas no oralismo visaram à capacitação da pessoa com surdez para
a utilização da língua da comunidade ouvinte na modalidade oral, como única
possibilidade lingüística o uso da voz e da leitura labial, tanto na vida
social, como na escola. As propostas baseadas no oralismo, não conseguiram atingir
resultados satisfatórios, porque, normalizaram as diferenças, não aceitando a
língua de sinais dessas pessoas e centrando os processos educacionais na visão
da reabilitação e naturalização biológica. A comunicação total considerou a
pessoa com surdez de forma natural, aceitando suas características e
prescrevendo o uso de todo e qualquer recurso possível para a comunicação,
procurando potencializar as interações sociais, considerando as áreas
cognitivas, lingüísticas e afetivas dos alunos. Os resultados obtidos com esta
concepção são questionáveis quando observamos as pessoas com surdez frente aos
desafios da vida cotidiana. A linguagem gestual, visual, os textos orais, os
textos escritos e as interações sociais pareciam não possibilitar um
desenvolvimento satisfatório e esses alunos continuavam segregados,
permanecendo em seus guetos, ou seja, marginalizados, excluídos do contexto
maior da sociedade.
Na
contemporaneidade, a pessoa com surdez é vista, interpretada como aquela que
imprime suas marcas na sociedade, apontando seus desejos, constituindo sua
identidade um devir marcado por sua subjetividade e, desta forma, ha um
rompimento da dicotomização entre oralistas e gestualistas, deixando apenas a
pessoa com surdez com a LIBRAS e a
Língua Portuguesa, em suas variantes de uso padrão, ensinadas no âmbito
escolar, devem ser tomadas em seus componentes histórico-cultural, textual,
interacional e pragmático. Nesta nova otica, entra o AEE para pessoa com
surdez.
O Atendimento Educacional Especializado em
poucas palavras
É importante destacar que esse tipo
de atendimento precisa ser pensado em redes interligadas, sem hierarquização de
conteúdos, sem dicotomizações, reducionismos; mas com uma ação conectada entre
o pensar e o fazer pedagógico. Portanto,
[...] o AEE deve ser visto como uma construção e
reconstrução de experiências e vivências conceituais, em que a organização do
conteúdo curricular não deve estar pautada numa visão linear, hierarquizada e
fragmentada do conhecimento. (DAMÁZIO, M. F. M.;
FERREIRA, J., 2010. p. 9)
Desta forma, quando
implementada a sala de recursos para atendimento de pessoas com surdez em uma
determinada escola, deve-se saber que,
[...] a prática
pedagógica do AEE parte dos contextos de aprendizagem definidos pelo professor
da sala comum, que realizando pesquisas sobre o assunto a ser estudado e
elabora um plano de trabalho envolvendo os conteúdos curriculares. (DAMÁZIO, M. F. M.; FERREIRA, J., 2010. p. 10)
Conforme Damázio (2007), o AEE envolve três momentos
didático-pedagógicos que podem ser assim definidos:
1
– AEE em Libras;
2 –
AEE para o ensino da Língua Portuguesa;
3 –
AEE para o ensino de Libras.