domingo, 9 de março de 2014

Pessoa com surdez


DAMÁZIO, M. F. M.; FERREIRA, J. Educação Escolar de Pessoas com Surdez-Atendimento Educacional Especializado em Construção. Revista Inclusão: Brasília: MEC, V.5, 2010. p.46-57.

 
 
Este resumo, relata o papel da Educação Especial, na perspectiva inclusiva, como um serviço complementar em tempos de  Atendimento Educacional Especializado na escola/classe comum, proporcionando novas possibilidades para as pessoas com surdez, em que a Libras e a Língua Portuguesa escrita são línguas de comunicação e instrução. Em se tratando da pessoa com surdez, podemos pensar que esta pessoa  não está reduzida ao chamado mundo surdo, mas sendo considerada ser biopsicosocial, cognitivo, cultural. Ou seja, rompendo com o embate entre os gestualista e os oralistas, afinal estamos falando de um descentrado, em que os processos perceptivos, lingüísticos e cognitivos devem ser estimulados e desenvolvidos, tornando-os mais capazes, produtivos e constituídos de várias linguagens, com potencialidade para adquirir e desenvolver não somente os processos visuais-gestuais, mas também ler e escrever as línguas em seus entornos.

 

Visitando a historia encontramos algumas concepções desenvolvidas sobre a educação de pessoas com surdez que se pautaram em três abordagens: a oralista, a comunicação total e a abordagem por meio do bilinguismo. As escolas comuns ou especiais, pautadas no oralismo visaram à capacitação da pessoa com surdez para a utilização da língua da comunidade ouvinte na modalidade oral, como única possibilidade lingüística o uso da voz e da leitura labial, tanto na vida social, como na escola. As propostas baseadas no oralismo, não conseguiram atingir resultados satisfatórios, porque, normalizaram as diferenças, não aceitando a língua de sinais dessas pessoas e centrando os processos educacionais na visão da reabilitação e naturalização biológica. A comunicação total considerou a pessoa com surdez de forma natural, aceitando suas características e prescrevendo o uso de todo e qualquer recurso possível para a comunicação, procurando potencializar as interações sociais, considerando as áreas cognitivas, lingüísticas e afetivas dos alunos. Os resultados obtidos com esta concepção são questionáveis quando observamos as pessoas com surdez frente aos desafios da vida cotidiana. A linguagem gestual, visual, os textos orais, os textos escritos e as interações sociais pareciam não possibilitar um desenvolvimento satisfatório e esses alunos continuavam segregados, permanecendo em seus guetos, ou seja, marginalizados, excluídos do contexto maior da sociedade.

Na contemporaneidade, a pessoa com surdez é vista, interpretada como aquela que imprime suas marcas na sociedade, apontando seus desejos, constituindo sua identidade um devir marcado por sua subjetividade e, desta forma, ha um rompimento da dicotomização entre oralistas e gestualistas, deixando apenas a pessoa com surdez  com a LIBRAS e a Língua Portuguesa, em suas variantes de uso padrão, ensinadas no âmbito escolar, devem ser tomadas em seus componentes histórico-cultural, textual, interacional e pragmático. Nesta nova otica, entra o AEE para pessoa com surdez.

 

O Atendimento Educacional Especializado em poucas palavras

 

É importante destacar que esse tipo de atendimento precisa ser pensado em redes interligadas, sem hierarquização de conteúdos, sem dicotomizações, reducionismos; mas com uma ação conectada entre o pensar e o fazer pedagógico. Portanto,

[...] o AEE deve ser visto como uma construção e reconstrução de experiências e vivências conceituais, em que a organização do conteúdo curricular não deve estar pautada numa visão linear, hierarquizada e fragmentada do conhecimento. (DAMÁZIO, M. F. M.; FERREIRA, J., 2010. p. 9)

 

Desta forma, quando implementada a sala de recursos para atendimento de pessoas com surdez em uma determinada escola, deve-se saber que,

[...] a prática pedagógica do AEE parte dos contextos de aprendizagem definidos pelo professor da sala comum, que realizando pesquisas sobre o assunto a ser estudado e elabora um plano de trabalho envolvendo os conteúdos curriculares. (DAMÁZIO, M. F. M.; FERREIRA, J., 2010. p. 10)

 

Conforme Damázio (2007), o AEE envolve três momentos didático-pedagógicos que podem ser assim definidos:

1 –  AEE em Libras;

2 – AEE para o ensino da Língua Portuguesa;

3 – AEE para o ensino de Libras.